O Real Madrid é frio e calculista. E também contou com muita ajuda dos goleiros adversários para assegurar o seu terceiro título consecutivo da Liga das Campeões. Depois de Ulreich falhar feio pelo Bayern na semifinal, foi a vez de Karius, do Liverpool, em dois lances bisonhos, selar o 3 a 1 dos merengues e praticamente entregar o título para os espanhóis neste sábado, em partida disputada no estádio Olímpico de Kiev, na Ucrânia.
Quando estava com o moral alto, no entanto, o Liverpool viu Bale acertar um chute improvável, quase de bicicleta, na única vez em que Karius nada pôde fazer. O arqueiro, no entanto, voltou a aparecer evitando uma reação final: aos 39, em chute de muito longe de Bale, o alemão tentou agarrar e viu a bola escapar entre os seus dedos, selando o triunfo rival.
Com o triunfo, o Real ganhou a sua 13ª taça da competição, cada vez mais longe dos seus perseguidores. Os merengues ainda igualam um feito repetido apenas pelo próprio clube, nos anos 1950, quando o time foi pentacampeão, o Ajax de Cruyff e o Bayern de Gerd Muller, ambos também tricampeões.
Liverpool assusta, mas murcha sem Salah
O Liverpool começou a partida disposto a sufocar o Real Madrid enquanto não tinha a bola. Com uma marcação adiantada e apostando nas rápidas trocas de passes entre o trio Salah, Mané e Firmino, os ingleses não deixaram os espanhóis saírem do seu campo nos primeiros dez minutos. Ao mesmo tempo, porém, não conseguiram criar chances claras de gol, normalmente parando em boas barreiras do sistema defensivo espanhol.
O lance mais perigoso se deu quando Milner avançou bem pelo lado esquerdo e cruzou para Firmino, na marca do pênalti. O brasileiro dominou e girou bem, mas foi travado por Varane. A bola sobrou na sequência para o lateral Alexander-Arnold, já dentro da área. O defensor bateu rasteiro, forte, mas parou em boa defesa de Keylor Navas, a única do arqueiro no jogo, sem dar rebote.
Pouco tempo depois, no entanto, aconteceu o lance que diminuiu o ritmo do Liverpool. Aos 25, Salah recebeu no meio e foi derrubado por Sergio Ramos, em lance no qual o juiz nem marcou falta. O egípcio acabou caindo em cima do seu ombro esquerdo e saiu com muitas dores. O canhoto ainda tentou voltar a campo, mas, chorando, deixou o gramado aos 29 da etapa inicial.
Com tantos jogadores renomados e um nível de futebol exaltado como o melhor do mundo, o primeiro gol da partida não poderia sair de maneira mais bisonha. Ao tentar sair jogando, Karius jogou a bola com sua mão direita e viu ela ser interceptada por Benzema. O desvio direcionou a redonda para o gol vazio, abrindo o placar.
Foi aí, no entanto, que entrou a qualidade da equipe tricampeã. Em jogada que parecia sem perigo, quando Marcelo subiu pelo lado esquerdo, Bale “achou” um chute de costas para o gol, quase uma bicicleta, e venceu Karius. Mané ainda tentou dar a resposta novamente, mas seu chute rasteiro da entrada da área bateu na trave.
O jogo ficou à feição para o Real, que cansou o adversário e esperou para dar o bote final. Não precisou de muito esforço para tal. Em chute despretensioso de Bale, de muito longe, Karius tentou agarrar e viu a bola passar entre as suas mãos, matando qualquer chance de reação inglesa.
Técnico: Zinedine Zidane
LIVERPOOL: Karius; Alexander-Arnold, Dejan Lovren, Van Dijk e Andy Robertson; Jordan Henderson, James Milner (Emre Can) e Wijnaldum; Salah (Lallana), Roberto Firmino e Sadio Mané
Técnico: Jürgen Klopp
Local: Estádio Olímpico, em Kiev (Ucrânia)
Data: 26 de maio de 2018, sábado
Horário: 15h45 (horário de Brasília)
Árbitro: Milorad Mazic (Sérvia)
Assistentes: Milovan Ristic e Dalibor Djurdjevic (ambos da Sérvia)
Cartões amarelos: Mané (Liverpool)
Gols:
REAL MADRID: Benzema, aos seis, e Bale, aos 19 e aos 38 minutos do segundo tempo
LIVERPOOL: Mané, aos 11 minutos do segundo tempo